quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Harry James - Especial

  1. If I Loved You
  2. Serenade in Blue
  3. I Need You Now
  4. September in the Rain
  5. You Go to My Head
  6. That Old Feeling
  7. Serenata
  8. Embraceable You
  9. Smile
  10. Oop Shoop
  11. Little Things Mean A Lot
  12. The Touch
Especial


O fôlego e a liderança de Harry James

Harry James é uma legenda na história da música instrumental norte-americana, destes nomes que se elevaram entre a constelação de timbres musicais consolidando-se como um dos mais famosos e dedicados músicos do mundo.

A princípio ele dividiria seu tempo entre o golfe e o baseball com seus primeiros namoros com a música. Se o esporte, no entanto, ofereceu-lhe o tipo atlético que hoje ostenta, a música penetrou em sua vida como a água pura em uma esponja. Quem já teve o privilégio de assisti-lo ao vivo, diz sem titubear: "Quando flui a melodiosidade de seu trumpete, quando Harry solta sua rara virtuosidade, não há paralelo para esse instrumento em todo o mundo".

Com oito anos de idade começou a aprender o instrumento que o projetaria no mundo musical, incentivado por sua família, que possuía pessoas ligadas ao mundo do circo. Assim, quando completou dez anos de idade, solava trumpete para um bizarro contorcionista de 65 anos. Aos 15 começou a tocar em Beaumont, Texas, numa orquestra local, acompanhando o nomadismo de sua família circense. Depois chega em Dallas, procurando novas experiências musicais e é convidado para atuar na orquestra de Ben Pollack. Grava com este alguns discos, e pela primeira vez é percebido por Benny Goodman, um fanático curtidor de discos de orquestras, que não sossegou enquanto não descobriu que num determinado disco, o insinuante trumpete que o encantava era interpretado por um jovem chamado Harry James. Foi dessa maneira que Harry James estreou na excelente orquestra de Goodman, destacando-se na antológica Deep Elm.

Harry tocou com Goodman durante três anos, conquistando uma excelente reputação e seu devido lugar como trumpetista. Em 1939, com apoio mas também tristeza de Benny Goodman, Harry, então com 23 anos, decide formar seu próprio grupo, principiando uma outra carreira sólida, desta feita como band leader.

Dono de uma suavidade cativante e de um equilíbrio harmônico que define os grandes músicos, Harry James apresenta-se no Brasil armado de todo um passado rico em discografia, espetáculos e participações dignificantes que incluem de Si Zentner, Buddy Rich e Stan Kenton, Ray Anthony e Woody Herman, Dave Stone e outros parceiros ou influenciadores que agigantaram sua obra.

O respeitado saxofonista Quin Davis, que como tantos outros "cobras" atuou nas orquestras de Harry James, confessa numa capa de recente disco do exímio trumpetista e chefe de orquestra: "Tocar com Harry foi a melhor experiência de minha vida musical, pois foi com ele que encontrei a chance de trabalhar com várias e grandes orquestras, tanto em bailes de interior, como em quartéis, em teatros lotados, como nas primeiras orquestras dançantes que viajaram pelos Estados Unidos.

Harry James é um dos grandes responsáveis pela conquista de uma consciência de classe por parte dos músicos de orquestra norte-americanos, pois foi um pioneiro e amou como a um deus as bandas com as quais trabalhou, sendo além de maestro um músico exemplar e até mesmo um verdadeiro "mestre-de-obras", como conjucturou o conceituado saxofonista Pat Longo.

Sua filosofia musical desenvolveu-se nas inúmeras viagens e diversas orquestras com que atuou, criando com músicos de todas as procedências, idades e formações. A este esquema ele aplicava sua disciplina de trabalho, uma inspiração notadamente lírica e cheia de nuances, fatores que resultaram nestas palavras do célebre baixista Dave Stone: "Harry é um grande músico, sempre respeitado aqui ou em qualquer lugar onde seja ouvido, e tem seu nome garantidamente afixado entre os maiores músicos de todos os tempos".

No tempo de suas orquestras de dança, antes de 1941, muitos músicos saíram de suas cidades de origem em busca de aprimoramento, e quase sempre a orquestra de James era o troféu mais ambicionado, a escola mais procurada.

Sua marca pode ser encontrada tanto em composições próprias, como a belíssima Blues For Sale, ou também em recriações marcantes de nomes como Count Basie (Corner Pocket), Thad Jones (Cherokee), até a magistral Sweet Georgia Brown, de Bernie, Casey e Pinkard. Histórico é seu disco de 1941, intitulado A Sinner Kissed An Angel, no qual aparecia como vocalista Dick Haymes. No lado B, Harry incluiu um velho tema de 1913, intitulado You Made Me Love You, com um leve sabor "country". Ao sucesso da gravação se deveu sua temporada no Paramount Theatre, de New York, sendo que na estréia, uma hora antes do início do espetáculo, a polícia foi chamada a intervir de vido à multidão de jovens que forçava a entrada do teatro, já superlotado.

Em 5 de julho de 1943, o primeiro trumpetista e líder de orquestra dos Estados Unidos casa-se com a "pin-up girl" Betty Grable, que o brinda com duas crianças: Victoria Elizabeth e Jessica.

Pela 20th Century Fox aparece pela primeira vez no cinema na película Do You Love Me, com Maureen O'Hara e Dick Haymes. Com essa abertura ele viria a participar, como ator ou músico, em filmes como I'll Get By, Springtime in the Rockies, Best Foot Forward, Two Girls and A Sailor, além de outros créditos em If I'm Lucky, Carnegie Hall e A Miracle Can Happen. Não podemos esquecer também que foi ele quem desenvolveu e executou os temas do filme Young Man with A Horn.

Durante sua frenética e equilibrada carreira, Harry James emprestou seu talento a nomes como Frank Sinatra, Helen Forrest, Dick Haymes, Kitty Kallen e inúmeros outros, e mais recentemente estrelou uma série para a TV com sua orquestra, atuando como ator, trumpetista e homem americano que curte o baseball, o hot-dog e o clima de You Made Me Love You.

Uma discografia rica, apesar de praticamente inédita no Brasil, conferem-lhe o mérito e a liderança que sua sensibilidade apurada e seu talento lhe garantiram. Chamado de King James em um de seus discos, onde o séquito musical é composto de grandes "feras" da música instrumental americana, Harry James chega para mostrar a perfeita fusão de seus brilhantes metais, distribuídos entre pistons (4), trumpetes (1), sax tenor (2), sax alto (2), sax barítono (1), trombones (3), magicamente dosados com piano, baixo e bateria, além de um vocalista, que nesta excursão é o correto e sutil Francis Dennis.

Para os bons ouvidos apreciadores da melhor música instrumental, o fôlego e a sensibilidade criativa inigualáveis de Harry James, além de músico, um raro líder de orquestra.

(Extraído das notas originais do álbum)

3 comentários:

  1. Obrigado de coração amigo Max. "Você é o cara" pela postagem deste fabuloso álbum. Tenho o vinil há muitos anos, mas sem as notas originais. Este é um disco raro -difícil de encontrar. Um belo presente para todos os seguidores e frequentadores deste blog. Um abraço do Agenor.

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  2. Grande trompetista e band-leader, um dos mais ilustres personagens da época de ouro das big-bands americanas entre nomes com a "boca no folego de aço", vulgarmente conhecidos. Sua influencia em cassinos, bares e repartições publicas foram alvos de casas lotadas não so pela dançar mais pelos movimentos cômicos e travejados que fazia ao tocar seu instrumento...memorável musico. - Mr. Butterfly

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  3. Apesar de eu ter baixado muitas gravações finos de seu site, até agora eu não tenho tido tempo para dizer obrigado. Eu gosto de ser capaz de desfrutar de sua seleção de grandes gravações!

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