- Rondeau (From Suite de Symphonies)
- Trompet Voluntary
- Canzone der Sonare nº 4
- My Spirit Be Joyfull (From Cantata BWV, 146)
- Divertimentos Folclóricos
- Brejeiro - Odeon
- Cantos Nordestinos
- Choros Nº 1
- Suite para Metais
- Snap
- Introdução e Fanfarra
- Polka (From the Golden Age)
- Suite For Brass
- Mood Indigo
- The Easy Winners
- Another Cat: Kraken
O som dos metais parece ter vindo do fundo dos tempos - clarins guerreiros, trompas de caça, charamelas e trombetas abrilhantando as ocasiões solenes da Idade Média. De toda essa herança imemorial foram-se filtrando os instrumentos modernos, através de um processo de aperfeiçoamento contínuo. e o resultado final dessa história é o que se pode ouvir nesse colorido programa do quinteto Art Metal.
A viagem, aqui, é longa, mas sem chegar a antiguidades medievais, já que os integrantes do quinteto (membros da Orquestra Sinfônica Brasileira) trabalham com os instrumentos de hoje, ligados às eras "clássicas" da música. Mesmo assim, o 'Rondeau' de Jean-Joseph Mouret que abre o programa, ainda traz o eco de uma antiga música cerimonial. É como uma fanfarra, correspondendo, aqui, ao início do século XVIII; e a peça preserva a alegria e a vibração associadas a esse tipo de manifestação musical. Contemporâneo de Mouret, e da mesma natureza, é o famoso 'Trumpet Voluntary', de Jeremiah Clarke.
Com a 'Canzone per sonare nº 4', de Giovanni Gabrieli, recuamos mais de cem anos, até o esplendor bizantino da catedral de São Marcos, em Veneza, quando Gabrieli era, ali, o mestre da capela. É uma polifonia suntuosa, correspondendo à dignidade daquela Veneza dos tempos dos doges, senhora dos mares. Segue-se um trecho vibrante, em estilo de Bourrée, extraído da cantata BWV 146, de Bach.
Com Bach, despedimo-nos dos séculos passados e caímos em plena música brasileira, com o 'Divertimento folclórico nº 1', de Raphael Baptista. É obra revelando a temática característica de um músico que sempre batalhou muito pelas nossas raízes musicais; peça alegre, que chega a evocar uma quermesse, e que joga com a "Ciranda, cirandinha". Ernesto Nazareth comparece, a seguir, com arranjos de duas peças mais que famosas: 'Brejeiro' e 'Odeon'.
Uma outra incursão pelo folclore é a dos 'Cantos Nordestinos' de Gilberto Gagliardi. A simples escala utilizada, e os jogos de terças, já nos projetam para o universo nordestino. A peça transcorre em clima de forró, momentos plangentes temperando a sua jocosidade.
Voltamos às transcrições com os 'Choros nº 1' de Villa-Lobos, escrito originalmente para violão, e a homenagem mais direta feita pelo grande compositor brasileiro ao mundo dos "chorões", onde ele encontraria tanta matéria musical. A 'Suíte' de Amaral Vieira, em quatro movimentos curtos, merece atenção especial, vinda de um compositor jovem e fecundo. Na sua linguagem desenvolta, ela é também uma referência a épocas passadas (uma das características de toda a obra de Amaral Vieira), com a tranquilidade de 'Canzone' e o ímpeto da 'Tocata', que se apresenta num só jorro.
'Snap', de Harold Emert, é o trabalho de um especialista em sopros, e utiliza habilmente os contratempos, além de um trabalho tímbrico que chega a criar uma atmosfera impressionista. Quase se pode ver, nessa peça sutil, névoas da manhã esgarçadas pelos arranha-céus de Nova York. 'Introduction and fanfarre', de Daniel Havens, é a outra peça altamente idiomática, com um forte sentido rítmico. A 'Polka' de 'The golden age', em arranjo de San Filippo, traz a presença de Shostakovich em sua linguagem característica - irônico, sarcástico, lírico, sem fugir às dimensões do gênero. A 'Suite for brass', de Sherson e McDunn, é outro pastiche de uma estrutura antiga; mas na sua leveza e bom-humor pode-se ler, com num livro aberto, a imensa contribuição da música americana à literatura dos sopros. O 'Pot-pourri', sobretudo, escancara a veia jazzística, num balanço forte que dá interessantes possibilidades a cada um dos timbres.
Segue-se o clássico 'Mood Indigo', de duke Ellington, tranquila meditação de um dos príncipes do jazz, e uma animada polca de Scott Joplin - 'The easy winners'. 'Another cat: Kraken', de Chris Hazell, é o bem-humorado fecho do programa, com o umpa-umpa característico da música mais popular para sopros.
(Luiz Paulo Horta, das notas originais)
Da Renascença Ao Jazz
A viagem, aqui, é longa, mas sem chegar a antiguidades medievais, já que os integrantes do quinteto (membros da Orquestra Sinfônica Brasileira) trabalham com os instrumentos de hoje, ligados às eras "clássicas" da música. Mesmo assim, o 'Rondeau' de Jean-Joseph Mouret que abre o programa, ainda traz o eco de uma antiga música cerimonial. É como uma fanfarra, correspondendo, aqui, ao início do século XVIII; e a peça preserva a alegria e a vibração associadas a esse tipo de manifestação musical. Contemporâneo de Mouret, e da mesma natureza, é o famoso 'Trumpet Voluntary', de Jeremiah Clarke.
Com a 'Canzone per sonare nº 4', de Giovanni Gabrieli, recuamos mais de cem anos, até o esplendor bizantino da catedral de São Marcos, em Veneza, quando Gabrieli era, ali, o mestre da capela. É uma polifonia suntuosa, correspondendo à dignidade daquela Veneza dos tempos dos doges, senhora dos mares. Segue-se um trecho vibrante, em estilo de Bourrée, extraído da cantata BWV 146, de Bach.
Com Bach, despedimo-nos dos séculos passados e caímos em plena música brasileira, com o 'Divertimento folclórico nº 1', de Raphael Baptista. É obra revelando a temática característica de um músico que sempre batalhou muito pelas nossas raízes musicais; peça alegre, que chega a evocar uma quermesse, e que joga com a "Ciranda, cirandinha". Ernesto Nazareth comparece, a seguir, com arranjos de duas peças mais que famosas: 'Brejeiro' e 'Odeon'.
Uma outra incursão pelo folclore é a dos 'Cantos Nordestinos' de Gilberto Gagliardi. A simples escala utilizada, e os jogos de terças, já nos projetam para o universo nordestino. A peça transcorre em clima de forró, momentos plangentes temperando a sua jocosidade.
Voltamos às transcrições com os 'Choros nº 1' de Villa-Lobos, escrito originalmente para violão, e a homenagem mais direta feita pelo grande compositor brasileiro ao mundo dos "chorões", onde ele encontraria tanta matéria musical. A 'Suíte' de Amaral Vieira, em quatro movimentos curtos, merece atenção especial, vinda de um compositor jovem e fecundo. Na sua linguagem desenvolta, ela é também uma referência a épocas passadas (uma das características de toda a obra de Amaral Vieira), com a tranquilidade de 'Canzone' e o ímpeto da 'Tocata', que se apresenta num só jorro.
'Snap', de Harold Emert, é o trabalho de um especialista em sopros, e utiliza habilmente os contratempos, além de um trabalho tímbrico que chega a criar uma atmosfera impressionista. Quase se pode ver, nessa peça sutil, névoas da manhã esgarçadas pelos arranha-céus de Nova York. 'Introduction and fanfarre', de Daniel Havens, é a outra peça altamente idiomática, com um forte sentido rítmico. A 'Polka' de 'The golden age', em arranjo de San Filippo, traz a presença de Shostakovich em sua linguagem característica - irônico, sarcástico, lírico, sem fugir às dimensões do gênero. A 'Suite for brass', de Sherson e McDunn, é outro pastiche de uma estrutura antiga; mas na sua leveza e bom-humor pode-se ler, com num livro aberto, a imensa contribuição da música americana à literatura dos sopros. O 'Pot-pourri', sobretudo, escancara a veia jazzística, num balanço forte que dá interessantes possibilidades a cada um dos timbres.
Segue-se o clássico 'Mood Indigo', de duke Ellington, tranquila meditação de um dos príncipes do jazz, e uma animada polca de Scott Joplin - 'The easy winners'. 'Another cat: Kraken', de Chris Hazell, é o bem-humorado fecho do programa, com o umpa-umpa característico da música mais popular para sopros.
(Luiz Paulo Horta, das notas originais)
Da Renascença Ao Jazz


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