- Ingênuo
- Generoso
- Rir para não chorar
- Samba de fato
- 1x0
- Rosa
- Yaô
- Carinhoso
- Pagão
- Concerto de bateria
- Vou vivendo
- Somente
- Lamento
O país cuja música popular produziu Tom Jobim teria que ter produzido, antes, Villa-Lobos, de um lado, e de outro, Pixinguinha (os três grandes).
Pixinguinha, o santo, o menino bom Pizindin, o homem do sorriso sempre aberto e feliz. O mesmo que, com toda a singeleza do mundo, disse que era um poema. "Nós somos um poema". "Nós", no caso, eram ele, Donga e João da Baiana, seus principais companheiros de geração (outros três grandes: os três primeiros grandes compositores da história da MPB, surgidos nos anos 20).
Pixinguinha foi o maior.
Como compositor, ninguém como ele deu formas tão próprias a um dos mais requintados gêneros da nossa música, o choro. Nem soube criar pérolas ao mesmo tempo tão ricas e tão populares. Como "Carinhoso", que, mesmo sendo o hit que é, não tem refrão e não repete uma parte sequer da melodia cantada (da música com letra, essência da canção).
Como músico - um dos primeiros com conhecimentos técnicos no Brasil -, Pixinguinha foi um virtuose na flauta, um improvisador exímio.
Como band-leader, criou um conjunto importantíssimo. Os 'Oito Batutas', pioneiro, nos anos 20, em três coisas: na divulgação da música nacional no exterior; na incorporação de instrumentos como saxofone, o trompete, a clarineta e o banjo; e na deglutição de novas informações musicais, jazzísticas, que enriqueceram a formação de uma linguagem orquestral caracteristicamente brasileira, moderna.
Como arranjador, com uma atuação igualmente marcada pelo pioneirismo, Pixinguinha dirigiu as orquestras de estúdio que acompanharam os grandes cantores dos anos 30: Carmen Miranda, Mário Reis, Orlando Silva, Sílvio Caldas. Pixinguinha e suas orquestras. Bocato e suas orquestras. "Bocato e sua Orquestra Tocam Pixinguinha". Esse era o nome do show, apresentado no MIS de São Paulo em dezembro de 1994, dentro do projeto "Sempre-Novas". A série, por mim idealizada e coordenada, tinha por objetivo provar a permanência da novidade estética das obras dos antigos compositores da MPB (uma vez novas, sempre novas: esse era o lema), que eram relidas por artistas da atualidade. Quem senão Bocato, na cena paulistana, eu convidaria para mostrar a permanência de Pixinguinha?
E assim, no ano do centenário do compositor, eis que o tributo se transforma em disco. Belíssimo. Aqui, todas as escalas complexas e todas as atmosferas singelas da música doce e elaborada de Pixinguinha se acham reproduzidas, traduzidas por um músico sensível que soube manter o estilo e as estruturas originais dos choros e sambas ao mesmo tempo que os recriou de um modo e com um toque muito pessoais.
Ao mergulhar fundo no universo do choro e de Pixinguinha, o trombonista Bocato enfrentou dois desafios: adequar seu instrumento a um gênero de muitas notas e passar pela escola de um compositor tão difícil quanto a de um Charlie Parker. Venceu, claro, a ambos.
Literalmente, o espírito do choro e de Pixinguinha pôs a boca no trombone de Bocato. No bom sentido. Viva!
(Carlos Rennó, 1997)
Pixinguinha, o santo, o menino bom Pizindin, o homem do sorriso sempre aberto e feliz. O mesmo que, com toda a singeleza do mundo, disse que era um poema. "Nós somos um poema". "Nós", no caso, eram ele, Donga e João da Baiana, seus principais companheiros de geração (outros três grandes: os três primeiros grandes compositores da história da MPB, surgidos nos anos 20).
Pixinguinha foi o maior.
Como compositor, ninguém como ele deu formas tão próprias a um dos mais requintados gêneros da nossa música, o choro. Nem soube criar pérolas ao mesmo tempo tão ricas e tão populares. Como "Carinhoso", que, mesmo sendo o hit que é, não tem refrão e não repete uma parte sequer da melodia cantada (da música com letra, essência da canção).
Como músico - um dos primeiros com conhecimentos técnicos no Brasil -, Pixinguinha foi um virtuose na flauta, um improvisador exímio.
Como band-leader, criou um conjunto importantíssimo. Os 'Oito Batutas', pioneiro, nos anos 20, em três coisas: na divulgação da música nacional no exterior; na incorporação de instrumentos como saxofone, o trompete, a clarineta e o banjo; e na deglutição de novas informações musicais, jazzísticas, que enriqueceram a formação de uma linguagem orquestral caracteristicamente brasileira, moderna.
Como arranjador, com uma atuação igualmente marcada pelo pioneirismo, Pixinguinha dirigiu as orquestras de estúdio que acompanharam os grandes cantores dos anos 30: Carmen Miranda, Mário Reis, Orlando Silva, Sílvio Caldas. Pixinguinha e suas orquestras. Bocato e suas orquestras. "Bocato e sua Orquestra Tocam Pixinguinha". Esse era o nome do show, apresentado no MIS de São Paulo em dezembro de 1994, dentro do projeto "Sempre-Novas". A série, por mim idealizada e coordenada, tinha por objetivo provar a permanência da novidade estética das obras dos antigos compositores da MPB (uma vez novas, sempre novas: esse era o lema), que eram relidas por artistas da atualidade. Quem senão Bocato, na cena paulistana, eu convidaria para mostrar a permanência de Pixinguinha?
E assim, no ano do centenário do compositor, eis que o tributo se transforma em disco. Belíssimo. Aqui, todas as escalas complexas e todas as atmosferas singelas da música doce e elaborada de Pixinguinha se acham reproduzidas, traduzidas por um músico sensível que soube manter o estilo e as estruturas originais dos choros e sambas ao mesmo tempo que os recriou de um modo e com um toque muito pessoais.
Ao mergulhar fundo no universo do choro e de Pixinguinha, o trombonista Bocato enfrentou dois desafios: adequar seu instrumento a um gênero de muitas notas e passar pela escola de um compositor tão difícil quanto a de um Charlie Parker. Venceu, claro, a ambos.
Literalmente, o espírito do choro e de Pixinguinha pôs a boca no trombone de Bocato. No bom sentido. Viva!
(Carlos Rennó, 1997)
Bocato iniciou seus estudos na banda da Escola Municipal Baeta Neves aos 7 anos de idade. Estudou na Fundação das Artes de São Caetano, no Instituto de Música do Planalto e Faculdade da Unesp, onde estudou composição e regência. No final dos anos 70 tocou com Arrigo Barnabé e Itamar Assunção do Festival Univesitário da Cultura, onde Arrigo Barnabé foi o vencedor com a música “Diversões Eletrônicas”. Em 1980 tocou e gravou com Elis Regina no show “Saudades do Brasil”. Depois desse disco sua carreira como instrumentista se intensificou muito, tocando com Rita Lee, Ney Matogrosso, Roberto Carlos e outros. Em 1982 fundou a Banda Metalurgia, que gravou um disco que foi considerado o melhor instrumental do ano. Em 1985 lançou seu primeiro LP solo. Atualmente sua discografia tem os seguintes discos: “Lixo Atômico”, “Sonho de um Anarquista”, “Concerto para Trombone Quebrado”, “Abruxa-te”, “Aqui Jazz Brasil”, “Ladrão de Trombone” e os CDs “Bem Dito”, “Samba de Zambas”, “Acid Samba” (estes dois últimos feitos na Suíça). Gravou ainda o CD “Tributo a Pixinguinha” em 97 com o qual realizou tourne pela Europa em comemoração aos 100 anos de Pixinguinha. Em 2004 lançou “Cacique Cantareira” e “Antologia da Canção Brasileira - vol.1” com Léa Freire, pelo selo Maritaca. Bocato também participou em várias gravações de artistas como Ná Ozzetti, Zé Miguel Wisnick, Gal Costa, Edson Cordeiro, Zéca Baleiro, Chico César, Celso Viáfora, Carlinhos Brown, Nação Zumbi, Fala Mansa, Pavilhão 9 e Art Popular, Marcelo D2 entre outros. Em 1998 fez nova tourne pela Europa com sua Banda e concorreu ao Prêmio Sharp como Melhor Arranjador pelo seu CD “Tributo a Pixinguinha”. Em 99, morando na Europa, participou do Festival de Montreaux tocando as músicas de seu CD “Samba de Zamba”. Em 2000 apresentou seu CD “Acid Samba” na Suíça. Em 2003 participa do Festival de Moscou, com sua banda e acompanhando Leny de Andrade e João Donato. Atualmente além de concertos por todo Brasil com seu grupo, está em processo de gravação de dois discos.
(From MySpace)
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